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A academia como opção de carreira jurídica

Atualizado: Set 21

Por Maria Clara Alencar

Que atire a primeira pedra quem nunca se sentiu um peixe fora d’água no curso de Direito! Tudo bem, você pode até ser sortudo de ter tido a sensação que acertou 100% na escolha feita lá atrás, quando ingressou no curso. Mas eu posso apostar que, se você clicou para ler esse texto, muito possivelmente você já se sentiu um pouco perdido em meio às carreiras tradicionais do Direito.


Por carreiras tradicionais eu quero dizer: advocacia e concurso público. E mais, se você não se enquadra em nenhuma delas, lá vem aquele sentimento de que escolheu o curso errado... Mas é aí que você se engana! O Direito vai muito além das tradicionais carreiras.


Hoje eu quero apresentar para vocês uma outra vertente que eu tenho certeza de que você conhece: a carreira acadêmica! Por que eu tenho certeza de que essa não é uma novidade para você? Bom, pelo fato de que, se você passou pelo curso de Direito, você teve contato com professores que são exemplos dessa carreira.


Lógico que muitos conciliam a carreira docente com outras atuações, como a própria advocacia ou o serviço público. Porém, o que você não sabe, é que a academia não precisa ser seu plano B, tampouco ser um sonho que você vai deixar engavetado para colocar em prática após aposentar ou ter uma carreira consolidada.


O que eu quero, com esse texto, é que você que está lendo e que precisava de um empurrãozinho para correr atrás da sua carreira acadêmica termine a leitura com o gás necessário para trilhar esse caminho. E se você não precisava desse empurrão, quem sabe com o texto surgiu aí um novo horizonte para você?


Bom, mas para seguir a carreira acadêmica é preciso estudo, muito estudo! Na verdade, um acadêmico é sempre um estudante: começa trilhando sua trajetória ainda na graduação, participando de iniciações científicas, monitorias e afins, e vai caminhando rumo a um mestrado, um doutorado, uma carreira docente, um grupo de pesquisa...


Mas se você se sente motivado por aprender novos saberes, se você quer participar da construção de novos paradigmas (e quebrar velhos!) e se você acredita que a pesquisa, o debate e, principalmente, a educação podem mudar o rumo das escolhas e das oportunidades da nossa sociedade, esse esforço de ser um eterno estudante poderá valer a pena!


Para seguir na carreira acadêmica jurídica você deve começar o quanto antes: ainda na graduação, faça de tudo um pouco – monitoria, grupo de pesquisa, competições, escrita de artigos, iniciação científica... Teste! É o momento ideal de experimentar e ver em qual caminho você mais se encaixa.


Eu percebi que a docência era realmente para mim, quando, ainda na graduação, o melhor estágio que eu fiz foi o de monitora de Direito das Sucessões! Eu já havia passado por escritório, órgão público do Poder Judiciário, órgão público de serviço essencial à justiça, mas o que ganhou meu coração, mesmo, foi estar ali presente no cotidiano dos alunos, tirando dúvidas para provas, acompanhando algumas aulas dos professores...


Foi então que comecei a correr atrás: para seguir na carreira acadêmica você precisa começar a pensar em fazer um mestrado! Esse passo poderá ser decisivo no seu ingresso real na nova carreira ou na sua transição!


A primeira vez que eu pisei em uma sala de mestrado, eu estava com muito medo de não ser bem aceita, principalmente porque eu era uma recém formada (recém mesmo! Eu formei em fevereiro e a aula do mestrado começou em março!), de apenas vinte e três anos e sem nenhuma experiência!


Eu estava com muito medo, porque eu me sentia inferior às demais pessoas que lá estavam!


O que não demorou para eu perceber foi que eu não era inferior, eu era diferente! E eu tinha duas opções: ou eu me encolhia e me escondia perante outros colegas com muito mais experiência do que eu, mais idade, mais dinheiro, mais vivência, ou eu usava meus pontos fortes e me destacava!


E algo que me ajudou demais a perceber que eu estava em um mundo novo e totalmente diverso foi exatamente identificar a diversidade: na escola, em geral, convivemos com colegas extremamente parecidos com a gente: mesma idade, muitas vezes mesmo bairro, mesmos lazeres... Depois, na faculdade, esse leque se abre um pouco - temos colegas que vêm de outras cidades, alguns colegas com idades diferentes -, mas, em geral, ainda é muito parecido, uma mesma faixa etária, uma mesma aspiração no curso, etc.


Mas no mestrado, isso muda completamente! E foi aí que eu percebi que aquela previsibilidade que eu estava acostumada, tinha acabado de mudar! Eu convivo com tabelião, com juiz, com especialista em psicanálise, com profissional que veio da área de educação, com advogados de sucesso, com gente que formou há pouco, com gente que formou quando eu nem era nascida e por aí vai…


Aprender a conviver com os diferentes perfis é essencial para você encontrar o seu lugar nesse mundo acadêmico: vou investir em ser uma professora jovem que se conecta mais horizontalmente com os alunos? Vou investir em ser uma professora mais experiente, que administra uma carreira no setor privado? Vou investir em ser uma professora interdisciplinar que abre horizontes? Enfim, você só vai descobrir qual é o seu perfil docente se, de fato, adentrar nesse novo mundo.


E, para você, que está se descobrindo agora ou que precisa de uma mão amiga nesse novo passo, não hesite em perguntar! O networking é seu aliado nesse momento: converse com alunos dos programas de mestrado e doutorado, participe de grupos de pesquisa vinculados aos programas, acompanhe redes sociais de acadêmicos que podem facilitar seu caminho e, quem sabe, invista em uma experiência como aluno especial – também conhecido como aluno de disciplina isolada – por alguns semestres.


Tenha algo definido: não será um caminho fácil, não tem receita de bolo, tampouco fórmula mágica para o sucesso acadêmico! Mas tem muito aprendizado e a certeza de que você sempre estará em movimento, com saberes cada vez mais atualizados e com a sensação incrível de que você ainda tem muito a aprender! Vai por mim, é uma sensação viciante!


E se você, que clicou para ler esse texto, chegou até esse final e está sentindo uma pontinha de estímulo para correr atrás disso, conte comigo, você me encontra nas redes sociais como @vidademestra e será um prazer conversar sobre essa trajetória – que está só começando!

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