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Psicologia Positiva: faria sentido a ciência estudar a felicidade?

Texto por Juliana Picinin e Renata Livramento.

1. Introdução.

A felicidade sempre foi objeto da indagação humana, seja para perquirir o que a conceituaria, seja para compreender como se a construiria. Em todas essas indagações estava clara a curiosidade humana sobre um elemento que parece tão essencial a ponto de se pretender o eternizar ou comercializar (COHEN, 2010).


A preocupação com essa felicidade transbordou as meras tergiversações filosóficas, religiosas ou poéticas e despertou os olhares da própria ciência: seria possível compreender, apreender, dissecar e diagnosticar a felicidade, criando um método de estudo e aplicação dessa realidade?


A resposta atual é quase um sim. A parte possível desse sim é que a ciência pode apreender, dissecar e diagnosticar essa felicidade, inclusive compreender o que muda no ser humano a partir de sua presença ou ausência, sua overdose ou carência, bem como as formas pelas quais o ser humano pode otimizar, densificar e equilibrar a sua presença ao longo do tempo. Malgrado não seja possível sintetizar a felicidade e a transformar em um elixir, as intervenções em seu prol podem tornar factível a sua construção volitiva no cotidiano.


O dissecamento dessa felicidade também foi possível a partir da melhor compreensão da ciência sobre o cérebro humano, seu funcionamento, a plasticidade neural e a construção de novas e melhores sinapses (HANSON, 2015).


O resultado dessa convergência é a potencialização do estado de bem-estar, a sobrevida e a qualidade que pode conter, deixando claro que esse avanço científico milita em favor dos homens mais do que se poderia inicialmente supor.


Nesse sentido, a felicidade é tão objetivável e apreensível como qualquer outro comportamento e constructo humano. E a cada dia – ainda bem, diga-se – o interesse científico e comunitário sobre a felicidade cresce e gera frutos.

2. A origem da Psicologia Positiva.

Em 1998, nos Estados Unidos, Dr. Martin Seligman, da Universidade da Pensilvânia, selaria o destino desse novo movimento da ciência, a Psicologia Positiva. Malgrado o termo não lhe seja originário e já existissem precedentes acadêmicos sobre os temas que viria a compactar, Martin Seligman está na raiz desse tema (SNYDER & LOPES, 2009).


Isso se deu com seu empossamento na presidência da Associação Americana de Psicologia, quando sua proposta era de uma releitura dos propósitos da Psicologia que, se estivera nas últimas décadas debruçada sobre a compreensão e o tratamento da saúde mental, precisava lançar novos e frescos olhares sobre o desenvolvimento do potencial humano (identificando e cultivando talentos humanos) e sobre como tornar mais feliz a vida das pessoas.


A seu juízo, embora fosse compreensível que a Psicologia tivesse lançado tantos olhares e estudos sobre as doenças mentais, inclusive em razão de dois pós-guerras, era imprescindível que a mirada se intensificasse sobre os pontos menos prestigiados até então, mas de real importância e contemporaneidade (SELIGMAN, 2009; SELIGMAN,2011).


Nisso recebeu o apoio e sensível contribuição do Dr. Mihaly Czikszentmihalyi, da Universidade de Chicago, profundo estudioso de um dos pontos considerados por Seligman como geradores da felicidade que lhe interessava compreender: a teoria do Flow. Juntamente com Ray Fowler, Seligman e Czikszentmihalyi reuniram-se na península de Acumal, no México, para discutirem os pilares desse movimento científico denominado Psicologia Positiva, sendo eles: (1) o pilar subjetivo – que abrange as emoções positivas; (2) o pilar individual – que abrange o caráter positivo; e (3) o pilar grupal – que abrange as instituições e organizações positivas (CZIKSZENTMIHALYI & SELIGMAN, 2000).


Assim, a Psicologia Positiva seria o estudo da felicidade, do bem-estar e do florescimento, com enfoque na compreensão das forças, talentos e virtudes humanos, permitindo que cada pessoa pudesse sobrepujar o que tem de melhor e mais eficaz para a construção de uma vida plena (CZIKSZENTMIHALYI & SELIGMAN, 2000; SELIGMAN, 2009; SELIGMAN, 2011).

3. A teoria de Martin Seligman.

A estruturação do pensamento de Seligman, então, veio a ser consolidada, em especial, em duas de suas obras, podendo se deduzir do conjunto dessas o que venha a ser a base sobre a qual a Psicologia Positiva passou a se constituir.


As obras Felicidade Autêntica (2002) e Florescer (2011) não seriam, na visão do próprio autor e de outros que sobre essas se debruçaram, apenas um somatório de itens de felicidade, mas uma evolução na construção do que interessaria transformar em objeto de estudo. Este artigo não é espaço a essa minudência, embora de relevo aos que se dedicam sobre o tema.


O fato é que o resultado desses trabalhos permitiu chegar-se aos pilares de sua teoria do florescimento humano, reunidos sob o acrônimo PERMA, resultante de: positive emotion (emoções positivas), engagement (engajamento), relationship (relacionamentos positivos), meaning (significado/propósito) e accomplishment (realizações).


Inicialmente em “Felicidade Autêntica”, a busca da felicidade está construída sobre três conceitos, a saber, vida prazerosa ou aprazível, vida engajada e vida significativa, a permitir o alcance de uma vida boa (SELIGMAN, 2009).

No primeiro conceito, o autor quis se referir ao encontro das atividades que geram prazer ou uma vida aprazível, desde um sentido hedonista, invocando ideias como êxtase, conforto e entusiasmo. Essas emoções podem estar ligadas aos prazeres físicos, ao passado (como orgulho, satisfação, contentamento e serenidade) ou ao futuro (otimismo, confiança, esperança). Inobstante sentir apenas esse tipo de prazer não possa garantir a felicidade autêntica, senão que contribuir para a sua solidificação, Seligman assume o papel que esse sentido hedonista pode conter (SELIGMAN, 2009).


Mas, para além disso, o sentido eudaimônico deveria ser perquirido e, por isso, segue seu posicionamento:


No segundo conceito o autor quis se referir ao engajamento como o encontro do estado de flow, conceito cunhado por Mihaly Czikszentmihalyi (1990). Aqui se trata de uma posição de entrega, com a perda da noção temporal e a perda da consciência de si mesmo em uma atividade que gera potência e eficiência ótima (CZIKSZENTMIHALYI, 1990; SELIGMAN, 2009). Para isso, o indivíduo terá de desenvolver suas habilidades para alcançar esse estado de fluidez. Quanto mais as habilidades são vivenciadas e potencializadas, maior é o estado de flow que pode ser atingido.


No terceiro conceito o autor quis se referir à vida que possua sentido e/ou propósito, que dê pertencimento ao indivíduo e sirva a algo maior que si mesmo. Originalmente a ideia envolve os conceitos de brincar, amar, trabalhar e servir. Outros itens poderiam ser acrescidos, a partir da ideia original, como está em nossa proposta, tais como: aprender, compartilhar e conectar.


Com esses conceitos Seligman desenvolveu a ideia de felicidade autêntica, na qual é possível alcançar vida plena, ou seja, a experiência das emoções positivas do passado e do futuro, com os sentimentos vindos dos prazeres, buscando gratificação abundante no exercício das forças pessoais, aproveitando essas forças a serviço de algo maior para obter significado, propósito (SELIGMAN, 2009).


Em seu próximo trabalho, no entanto, evoluiu o pensamento ao considerar que o verdadeiro objetivo do estudo da Psicologia Positiva e dos indivíduos em geral não era a mera felicidade, e sim o bem-estar eflorescimento humanos. (SELIGMAN, 2011)


Nessa obra intitulada “Florescer”, dois conceitos importantes foram acrescentados.


O primeiro é o conceito de realização, ou seja, a capacidade de executar e concretizar as metas, planos, objetivos e sonhos que são traçados pelo indivíduo. Com elas o indivíduo pode alcançar vitória, conquista, sucesso e domínio, seja isso feito de forma positiva ou não. No espaço dessa classificação não se busca o envelopamento do que pode ou não ser feito.


O segundo conceito acrescentado é o de relacionamentos positivos, ou seja, a importância de elevarmos as relações humanas e estabelecermos relacionamentos genuínos e edificantes. Os relacionamentos não se restringem à obtenção de emoções positivas, engajamento e sentido. Para além disso, são expressão da vantagem evolutiva.


O conjunto desses aspectos todos (emoções positivas, engajamento, relacionamentos positivos, sentido e realizações), então, resultariam no conceito de florescimento proposto por Martin Seligman (SELIGMAN, 2011).


É fato, no conjunto desses elementos, que a felicidade pode ser construída pelo ser humano (DOLAN, 2015). Malgrado os aspectos genéticos possam contribuir – para mais ou para menos – na busca da felicidade e do florescimento, é fato que as ações volitivas têm espaço considerável no resultado final alcançável pelo ser humano (LYUBOMIRSKY, 2007). Com as contribuições da neurociência e da compreensão sobre o funcionamento do cérebro e da epigenética, pode-se afirmar que quanto mais feliz se é, mais feliz se é capaz de ser (HANSON, 2015; EPEL& BLACKBURN, 2017).


A partir disso, então, vieram os experimentos e os ensaios sobre os pontos de vista apresentados pela Psicologia Positiva, chegando a ciência à possibilidade de concluir que a felicidade não é apenas uma ambição humana ou uma habilidade subjetiva e inapreensível, senão que um investimento objetivo e factível ao ser humano. Não apenas isso: a Psicologia poderia abraçar seus objetivos estruturais adormecidos, de propiciar ao homem a vivência de seus talentos e bem-estar, focando, também, no que funciona e proporciona mais felicidade.


Estava inaugurado, assim, aos fins do século XX, um novo mindset das ações humanas e que contribuiriam, inexoravelmente, para o bem-estar coletivo (CZIKSZENTMIHALYI & SELIGMAN, 2000).

4. A teoria de Barbara Fredrickson.

Barbara Fredrickson, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, dedica sua atenção ao estudo das emoções, em especial das emoções positivas (ou agradáveis). Ao conjunto dessas atribuiu o termo positividade, nome de sua obra aqui em destaque (2009).


Nessa retrata que o medo fecha a mente e os corações, ao passo que as emoções positivas podem os abrir. Essa abertura possibilita aos seres humanos um olhar mais transparente e viabilizador de soluções criativas, dirigidos à superação das dificuldades, de forma mais dinâmica e potencializada. A vivência real e autêntica dessas emoções pode não só moldar um novo mindset quanto alterar a bioquímica humana (FREDRICKSON, 2009).


Em seus estudos no laboratório de emoções, Fredrickson (2001) desenvolveu e testou sua teoria Ampliar e Construir (Broaden and Build). De acordo com esta teoria, a vivência de emoções positivas proporciona uma ampliação dos sentidos que, por sua vez, propicia aos indivíduos novas compreensões, bem como construção e a potencialização de recursos pessoais duradouros.


A revolução interior pela qual um ser humano pode passar, a partir das vivências de emoções positivas, nesse sentido, vai além da mera vivência dessas por alguns instantes para importar em uma alteração estrutural que permite a cada pessoa um estado de potência muito mais aguçado e estruturador do que meramente pontual e passageiro.


Entretanto, conforme salienta a própria autora, não se trata de transformar o ser humano em uma máquina de produção de emoções positivas a qualquer custo e de qualquer conteúdo, o que poderia significar uma falsidade tóxica (FREDRICKSON, 2009).


O ponto é produzir um mindset de positividade, onde se esteja atento, apreciativo, curioso, gentil e verdadeiro no que tange a essas emoções positivas, o que proporcionaria efeitos muito mais autênticos e estruturadores, eliminadores de uma cegueira que impede a verdadeira progressão humana.


Isso não significaria, por sua vez, que se devesse eliminar toda e qualquer negatividade, seja porque isso seria irreal e prejudicial à compreensão da diferença às emoções positivas, seja porque a vivência de emoções “negativas” (ou desagradáveis) nos permite questionar hábitos mentais que são fontes geradoras dessas, possibilitando que o ser humano faça escolhas mais assertivas quanto ao que, verdadeiramente, deseja viver e pode lhe proporcionar florescimento e bem-estar.


Para orientar o mindset a essa positividade, Barbara indica e densifica as 10 emoções positivas que suas pesquisas concluem serem viabilizadoras desse equilíbrio, a saber: alegria, gratidão, serenidade, interesse, esperança, orgulho, diversão, inspiração, admiração e amor.

5. Os rumos da Psicologia Positiva.

O primeiro ponto que pode ser dito acerca dos rumos da Psicologia Positiva é que ela se encontra em uma linha ascendente. Pouco a pouco os ambientes científico, acadêmico, educacional, corporativo, clínico e governamental (dentre outros) têm rendido espaço às suas contribuições, seja para verificar a sua pertinência, seja para avaliar a sua eficácia, seja para experimentar os seus benefícios. E, pelo que os resultados recentes indicam, essa é uma linha que tende a se manter ascendente (GRAZIANO, 2016).


Países das Américas e da Europa têm desenvolvido um número considerável de estudos científicos, pontuais e práticos, de desenvolvimento das ideias originais (e até de algumas adaptações a essas), intensificando a crença do quanto é importante (sob o olhar da Psicologia Positiva ou de qualquer ramo que se queira gerar) considerar a felicidade, o florescimento, o bem-estar e a positividade como essenciais a serem desenvolvidos, priorizados, estudados e construídos.


E, para além disso, em um movimento denominado “Segunda Onda da Psicologia Positiva” ou “Psicologia Positiva 2.0”, os olhares se intensificam também não só sobre o que funciona ou como as emoções positivas contribuem à evolução humana, mas como a forma de se lidar com o que não funciona ou é tido por “negativo” ou desagradável, também contribui para o florescimento humano. A “essência” desse movimento é considerar que o bem-estar tem uma natureza dialética, que vai muito além dos conceitos polarizados de negativo e positivo (BISWAS DIENER & KASHDAN, 2015; IVTZAN ET AL, 2016).


Segundo Seligman (2018), o passado da Psicologia Positiva tratou de estudar a felicidade e o florescimento humanos; o presente de aplicar esses conhecimentos no campo da educação para que os indivíduos possam, desde pequenos, terem melhores condições de desenvolverem seus talentos, virtudes, forças de caráter e seu bem-estar; e o futuro cuidará do desenvolvimento e aplicação da Psicologia Positiva nos âmbitos públicos, da comunicação e religioso.


Em suma, a proposta da Psicologia Positiva não é, e nem nunca foi, impor uma primazia da felicidade ou do positivo. Talvez a denominação deste movimento dê a entender aos menos informados que se trata apenas de cuidar dos aspectos positivos da vida. Ao contrário, a proposta da Psicologia Positiva é integrativa e ampla.

6. Considerações Finais.

A apresentação dessas ideias permite três linhas conclusivas, a saber:


A primeira delas é que a Psicologia Positiva se estruturou em bases científicas sólidas e soube demonstrar a sua competência no auxílio ao ser humano para o desenvolvimento de suas potencialidades. A possibilidade de desenvolver um mindset direcionado ao que funciona, ao que traz felicidade, bem-estar e florescimento, é gerador de resultados positivos, desejáveis e nutritivos.


Exatamente nessa base científica sólida é que a Psicologia Positiva permite sua sobrevida, afastando-se de discursos eufemistas ou ideológicos, com potencialidade para se unir a outros ramos científicos que igualmente buscam a edificação humana.


A segunda delas é que a felicidade é construível, a partir do momento em que o ser humano passa a investir nos aspectos objetivos propiciadores de sua existência, com consciência e clareza na sua experimentação, evoluindo a uma busca contínua e equilibrada desse perfil.


A terceira delas é que esse caminho inaugurado é apenas inicial e que existem muitas descobertas sobre o admirável mundo quase novo da mente humana.


7. Referências.

BISWAS-DIENER, Robert; KASHDAN,Todd. The Up Side of Your Dark Side: why being your whole self- not just your “good” self- drives success and fullfillment. New Yourk: Hudson Street Press, 2015.

COHEN, Marleine. A História da Felicidade: uma palavra singular com sentido plural. São Paulo, ed Saraiva, 2010.


CZIKSZENTMIHALYI, MIhaly; SELIGMAN, Martin E.P. Positive Psychology – An Introduction. In: American Psychologist- Special Issue on Happiness, Excellence, and Optimal Human Functioning. Washington, D.C. American Psychological Association, 2000.


DOLAN, Paul. Felicidade construída: como encontrar prazer e propósito no dia a dia. Rio de Janeiro: ed Objetiva, 2015.


EPEL, Elisa; BLACKBURN, Elizabeth. O Segredo está nos Telômeros: receita revolucionária para manter a juventude e viver mais e melhor. São Paulo: Planeta, 2017.


FREDRICKSON, Barbara. The Role of Positive Emotions in Positive Psychology: The Broaden and Build Theory of Positive Emotion. In: American Psychologist, vol. 56, n. 3, 218-226. American Psychologial Association, 2001.


_____________________ Positividade: descubra a força das emoções positivas, supere a negatividade e viva plenamente. Rio de Janeiro: Rocco, 2009.


______________________ Amor 2.0: a ciência a favor dos relacionamentos. 1. Ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2015.


GRAZIANO, Lílian. O futuro da Psicologia Positiva. In: CORRÊA, Andrea Perez. Psicologia positiva: teoria e prática: conheça e aplique a ciência da felicidade e das qualidades humanas na vida, no trabalho e nas organizações. 1.ed. São Paulo: Leader, 2016, p. 386/394.


HANSON, Rick. O Cérebro e a Felicidade: como treinar sua mente para atrair serenidade, amor e autoconfiança. São Paulo: Ed Martins Fontes, 2015.


IVTZAN, I.; LOMAS, T; HEFFERSON, K; WORTH, P. Second Wave Positive Psychology: embracing the dark side of life. New York: Routedge, 2016.


LOPEZ, S.J; SNYDER,C.R. (eds). The Oxford Handbook of Positive Psychology. Oxford University Press, 2009.


LYUBOMIRSKY, Sonja. The How of Happiness: a new approach to getting the life you want. New York: Penguim Books, 2007.


SELIGMAN, Martin E. P. Felicidade autêntica: usando a nova Psicologia Positiva para a realização permanente. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.


_____________________ Florescer: uma nova compreensão sobre a natureza da felicidade e do bem-estar. 1. Ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.


_____________________ The Hope Circuit: a psuchologist’s journey from helplessness to optimism. New York: PublicAffairs, 2018.

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